quarta-feira, 31 de agosto de 2011

há espera...


Deitados nessa relva
pela última vez,
encontros escondidos
mergulhados no céu tão abstrato

Li em seus lábios 
palavras que nunca foram decifradas,
a beleza do desconhecido 
nos liberta dos compromissos de perdão

Venha guiado por esse crepúsculo
traga a sua mensagem,
mostre-me sua alma tão grande
revela-se neste momento

Você pensou me conhecer
apenas por ver meus temores,
sem saber dos sonhos que escondia de seus olhos
sem saber...

Corra, solte seu uivo para o luar
eu queimo nesta ânsia,
me protejo de sua presença
não há meio termo para nós?

(nunca satisfeita...
quero uma razão)

Agora acorde!
não foi uma lembrança
é apenas um sussurro interrompido
As vezes escondo a verdade,
você sabe o que me adoece
Só continue sem saber....

Músicas que rimam com Poesia:
  Boa tarde leitores!!!
A partir de hoje vou estar colocando músicas que tenham letras poéticas ou líricas que tenham uma ligação com as poesias postadas!!!
Espero que gostem!!!





domingo, 28 de agosto de 2011

A Presa e a Fera

Há um imã sobrenatural em você
que me atrai como um desejo tão vil
sinto que trai os princípios
e joguei-os contra mim

Talvez seja meu instinto selvagem
caçando o que me persegue,
talvez você desperte 
meu pecado interior

Sou uma vela acesa por este mal
incontrolável força que me seduz
quando está perto de meus sonhos
eu o prendo nos devaneios

Devo trancar meus pensamentos
e devolve-los a ilusão
ou prostituir -me nessa
insolúvel mentira?

Estou aqui como uma aberração
sendo devorada em minhas questões,
mergulhei até o fundo
e me encontrei em segredos perversos

Mantenho-a presa dentro de mim
não é humano,
é apenas o que sobrou 
daquilo que chamei de amor.


 





terça-feira, 12 de julho de 2011

Depois de um longo tempo...

...sem ter feito nenhuma postagem, volto aqui para mostrar mais uma poesia criada pelo meu pai José Dinalberto de Oliveira, que mesmo sem ser reconhecido pelo mundo, seu talento é eminente e declarado.
   Sem mais delongas, trago aqui meus sinceros agradecimentos a quem visita e doa um  pequeno tempo de seu dia para ler algumas dessas poesias, espero que lhe agradem e boa leitura!    
    
                                   Ave Averbando


     No centro do jardim
Entre urtigas e orquídeas
O arbusto do absurdo
Absorve
A paisagem

Lança aos pássaros
Suas sementes de canto
E às bocas o fruto
Com gosto 
De entardecer

Estende seus ramos
Sobre as conciências
E varre a terça
Parte das 
estrelas

Porém no ventre
De toda pedra
Sempre um sonho medra
E a rima exata
Sempre se desata

Desde que o tempo
Provou ser sua própria
Definição indefinida
Quando da boca de um anjo
Uma mulher roubou do império

A ave e o vôo
Sobre todas as árvores.




sábado, 18 de junho de 2011

Ausência Indômita





Pressinto um velho mal se aproximar
dentro do silêncio que te faz noite,
O mesmo vento inquieto que te trouxe para perto
agora arrastou-me para tão longe...

Deitada em dunas poliestanas
sem reação a esse momento
permito que meu sono congele,
Uma respiração boreal
me faz lembrar minha existência
tornando a súplica
de um beijo mais eminente.

Minha mente vaga inerte
acima de um corpo solitário,
à espera de um sinal de trégua do tempo
ou apenas um descanso para os olhos.

No quarto amanhece
e as curvas alaranjadas do dia
mancham as cortinas,
invasivos anjos solares
queimam o resto de ilusão.

A memória que me perturba
enfim se aquece de novo,
mais um amanhã que se vai
e outro que recomeça
repetindo esse antigo ritual.

São breves os momentos abrasadores
que valem tanto a pena
passar por sonos tortuosos
para que finalmente
eu possa despertar.

domingo, 5 de junho de 2011

Valentine's Day


As palavras que minhas mãos dedilham
são pequenas recordações que tenho de você,
E antes que o dia se vá mais uma vez
Quero estar do seu lado
e entregar-te um beijo de boa noite.

Muitos ventos já percorreram nosso caminho
e num triste descuido seus passos se afastaram dos meus,
Mas hoje as estrelas testemunham o nosso reencontro,
Em seus olhos posso buscar aquela velha alegria
que por muito tempo você guardou a minha espera.

E na ausência de um beijo nunca roubado
sussurrei o seu nome e te segurei em  meus braços,
Deixe o mundo gritar ao nosso redor
e nos esconderemos na luz da lua.
Meu coração se faz inteiro novamente
entre romances e canções,
Não há escuridão que perpetue na noite
e não há busca sem final feliz.

Todas as luzes se apagam atrás de nós
pois somente o futuro nos importa,
Vivendo através desse sonho
agarrados a alvorada que nos liberta.

Todas as vezes que chorar
uma lágrima será minha também,
E nessa vida carregamos muitas mágoas
mas juntos a tristeza se dissipa,
E depois dos pesadelos 
sempre vem a calmaria,
E enquanto esse dia durar,
Querido nosso amor será eterno.




terça-feira, 31 de maio de 2011

Milênios separam começo e fim (Apocaliptica)


Tranquem as portas
e fechem as cortinas,
Por três dias a escuridão se fará infinita.
A imensidão do caos entre as vozes santas
cairão sobre nós.
Não há tempo que desfaça
o mal nascente do chão,
Apenas uma agonia incessante aqui dentro,
Enquanto os que se prendem ao impuro
(todos os pecados escondidos  no fruto)
serão levados por seus próprios pesares.
Não olhe para fora!
Sodoma e Gomora caem novamente,
a nova Babilônia construída em ruínas 
desfaleceu em nome da fé.
Pequenos são nossos olhos 
por não acreditar no cessar dos gritos profanos,
no fim dos falsos deuses.
Depois de estremecer o pilar do egoísmo,
consumido nesse altar frígido,
Uma nova aurora se levanta 
em plena Glória!
(e os passáros entoarão o seu canto).

sexta-feira, 27 de maio de 2011



O que é ser um poeta? A poesia é um dom ou um bem adquirido?
Todos nós já nos deparamos com tais questões, o mundo evolui mas algumas perguntas parecem tão pertinentes quanto os ditados. Na verdade, a poesia nos tempos de hoje se tornaram artigo de pouco valor emocional e acima de tudo cultural. Mas para que julgar os ditos poetas incompreendidos?  Será que devemos todos ter a mesma vocação para Manuel Bandeira, Olavo Bilac? Será que todos temos a mesma sensibilidade que teve Cora Coralina ou nossa saudosíssima e paranaense Helena Kolody? A resposta é única, não, não temos.
  Quantas vezes já ouvi em vozes diferentes a mesma opinião: "os jovens não sabem escrever poesia, o que escrevem são bobagens parafraseadas de músicas sentimentais", isso lhe parece familiar? Ou até mesmo: "como todo mundo é poeta agora, não tem que ser culto para saber escrever". Ora, cultura é sim um importante instrumento para tudo o que se vai criar, não só  na parte literária mais em qualquer forma de expressão. Porque esse preconceito? De onde vêm esses absurdos psicanalíticos? bom para isso não tenho resposta, mas acredito que poesia é a expressão diferente de cada um ver algo que é natural a todos, existem várias maneiras de se falar sobre o mesmo tema assim como a vários jeitos de se perceber os sentimentos, por exemplo o amor, alvo de muitos poetas, desejada por todos mas alcançadas por poucos, esse não é o tema mais usado até hoje para se poetizar?, e podemos dizer que se pegarmos a maioria das poesias mais famosas elas serão parecidas ou até mesmo idênticas entre elas? não, porque cada um sente de um jeito, como cada pessoa pode se identificar com elas. Então a poesia não tem medição entre  "melhores" e"piores", o que vai entra em ação é a maneira de que cada um irá saborear a poesia, de que jeito cada ser olha para um determinado assunto. Como diz o ditado "gosto é gosto, cada um tem o seu", pode ser clichê,mas a verdade é um clichê e não deixa de ser verdade, "a beleza está nos olhos de quem vê", então por que não aplicar isso em nossas leituras, sejam mais pacíficos e menos críticos, afinal leitura é para ser uma hora de redenção da realidade, uma válvula de escape do cotidiano,uma hora que reservamos aos sonhos e as fantasias, sem obrigações, sem leis a seguir...
  Para terminar, há um a poesia de Florbela Espanca, poetisa portuguesa, que consegue capturar toda a essência dos poetas, e que exprimem além de rimas perfeitas, o verdadeiro sentido da existência de um poeta.

Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)