quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

de volta a terra de Imaginária


Quando seus olhos estão azuis
as estrelas se silenciam,
a noite ofuscada nada pode fazer
que se entregar ao seu feitiço.

Quando meus lábios estão vermelhos
abrindo-se em botão de rosas
esperando um beijo empalidecer a carência,
nada posso fazer
apenas mentalizo esse momento,
o encontro de dois rios
formando esse mar dentro de nós.

Traga nos de volta as doces ilusões,
as falsas visões
de felicidade eterna.

Quando sua canção morrer
serei a única a deitar ao seu lado,
trêmula a abraçar-te na branca tristeza,
deitados na fria terra de Imaginaria.

Quando o fantasma dos bons tempos
assombrar meu corpo vazio
Tu serás o fantasma?
o que poderá trazer o céu nos teus olhos de novo?
a alegria pertinente dos mortos,
o refúgio de todos os males.

Espere! guarde seu último suspiro pra mim.


domingo, 11 de dezembro de 2011

Anjo Bipolar

  
Convivendo com sua dor
dia e noite se invertem 
trazendo todos os gritos guardados,
na lembrança das lágrimas quietas.

Em sua mente os espectros 
lhe sorriem do alto do retrato,
reflexo do passado,
sempre vivo, te devorando.

"Não, não consigo deixá-la ir"
Minha perdição são essas memórias,
a loucura que te sonda,
a tortura que te fascina.

Quando em suas mãos enxergas o poder
quebra este sorriso plastificado que zomba de ti,
Ela se suicidou dia após dia nessa parede
agora está livre como  pedaços de vidro pelo chão.

E a canção que trazias na alma,
chorava em meus olhos
suplicando não lembrar mais,
era no paraíso que pensavas?

Se em meu amor encontrasse a cura
eu viveria sua vida,
para não vê-la se desfalecer,
"Não, isso nunca irá nos abandonar"

Os sonhos se vão
mas a doença permanece intacta,
"Oh, anjo que me guarda,
livrai-nos da condição do sofrimento".


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O País das Maravilhas

Essa postagem é uma poesia que escrevi depois de ver o filme do Tim Bourton "Alice in Wonderland",
que é simplesmente uma das melhores adaptações feitas pelo cinema.
Como tudo que é diferente e criativo me encanta, a inspiração não tardou a vir...
   E também é uma homenagem a minha amiga Janaína que adora esse filme tanto quanto eu. 
ESPERO QUE GOSTEM!




Um mistério atrás dos passos de um coelho,
Um submundo tirado de minha imaginação
Caída num conto quase real,
Tudo que alguém precisa querer
Fechar os olhos e deixar acontecer.

Eu obedeço a minha voz
Livre apenas pra voar sobre o céu escarlate,
Nada pode derrubar as fantasias
Protegidos pelo sorriso de um felino
E nada pode nos parar.

De volta à terra do nunca
Ao país das maravilhas
Quando o mundo despertar
Colidir com o que existe
Segure minha mão
Não a rainha vermelha que nos faça regredir
Apenas seja o que você acredita.

Eu me encontrei perdida neste sonho
Segui o caminho guiado pelos meus pés
Fugindo de tudo que dizem certo
Me reencontrando com a minha realidade.

Isto é só um sonho?
eis minha pretensão
derrubarei meus medos, 
aqui não esperamos o bem triunfar
corremos para a batalha. 


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Janela aberta



Noite, exale seu perfume escarlate!

Uma janela secreta se abre,
meus gritos
nas asas de um pássaro
em busca de um novo amanhecer
flutuando imerso neste OCEANO-CÉU,
Minhas lágrimas
adormecem abaixo das árvores,
prendendo-me em suas raízes.

Oh, insolúvel pesar!
longa é a espera pela luz,
Eu desejo sair por esta janela
abrir os braços,
Voar uma única vez,
sentir o sereno tocar
os anos expostos em meu rosto,
correr junto as flores,
feri-las ao som do silêncio!
Resvalecer e cair.

E eu,
Eu lembrarei de olhar para trás,
Despedir-me desta casca,
(tudo que fui, tudo que sou, tudo que me restou)

Ainda estou voando!

Oh, pensamentos não me prendam aqui!
livre dos sonhos,
sem regresso.

VOAR!
sinto os segundos
deslizarem minhas veias,
e antes que minhas mãos entrelaçadas
retornem ao chão,
o fim irá me evanescer...

domingo, 9 de outubro de 2011

Sublime

Talvez seja a ultima vez...

Quando os sonhos colidirem com o chão
Um ultimo suspiro arrancarei de mim
Esqueço de abrir os olhos
de novo e sempre,
Somente o que sobrou de Ti me pertence
E sou a única a restar aqui,
Gritos na madrugada,
 risos intrépidos
agouram sobre mim,
Enquanto a verdade sangra
Embriagada pelo desejo,
Um mundo distante atravessa meus pensamentos
Trazendo a cura para cegar minha insanidade
Em suas mentiras  encontro a resposta
Não há ilusões que durem para sempre,
 Somos crianças esquecidas no Éden
Pedindo perdão de dedos cruzados

“e não há verdade que permaneça escondida”


A cidade está em chamas
Suas cinzas clamam por mim
Todos os medos expostos em minha face
É meu único disfarce
 Para me manter longe da escuridão.


sábado, 8 de outubro de 2011

Noturno

O sereno da noite transforma 
seu rosto em cândida aparição,
De longe, sei que me observa
admirando sua presa 
envergada em sua redoma.

feri-me com seu olhar
tingido pela luxúria,
Voando contra a luz
e pelas trevas consumido.

Leia meus pensamentos
venha até mim,
 Oh, Querido solitário!
mostra-me a liberdade de não temer a escuridão,
Deite-me em seu beijo para a eternidade.

Não me retenho aos seus desejos,
beba minha mortal condição
e eu direi que o amo!

Oh, não vê que os anos morrem
e levam um pouco de minha candura!
É tão cruel este frágil querer
perto de seus olhos mortificados.

Seu hálito frio
onde a morte já se fez íntima,
atravessam lentamente minhas veias
me despertando para sempre
em sua fome insaciável.

Torna-me sua súplica,
Vício ou religião.

Acredite no que o clarão da lua nos revela,
e realize meus devaneios,
nunca te encontrarás a ermo,
a noite me fará...
Eternamente sua. 



  

sábado, 17 de setembro de 2011

Jardins Artificiais

Sobre a minha imagem
pendura-se um retrato adormecido,
Não me reflito mais nele
ainda que tente resgatar seu sorriso,
Sua moldura não me serve mais.

Ela me pareceu uma criatura doce,
 Viveu em mim
como o medo embaixo da cama.

Seus sonhos se alimentaram 
dos contos de fada,
mesmo caminhando na tênue das mentiras
entra a luz e a escuridão,
Ela me fez seu espelho
admirando sua infância.

Mas o ontem se dissolveu
e eu,
A abandonei em meio aos
 jardins artificiais da vida,
Acordando no crepúsculo de minha solitude,
Implorando não viver o amanhã,
Amargando em seus versos gélidos.

Procuro-te inocência,
Em cada alegria devastada,
Em cada caminho rabiscado,
toda vez que cerro meus olhos,
em algum canto obscuro
onde posso ter me desviado.

Inocência, leva-me as vertigens dos amantes.
Inocência, faça-me acreditar em cada fragmento de ilusão,
Mas se não for possível Inocência,
Desejo apenas que vele meu sono.