terça-feira, 17 de maio de 2011

Se eu morresse...


Se eu morresse
Em Canto
Entre parêntesis
Ad(eu)s
Me sepultaria
Para o reino da palavra
Somente uma cacofonia
Suave ida me daria
Se eu morresse a mãe hã
Morreria.

Um último pedido...


E na cólera da noite
A escuridão tomou meu coração
Num mundo onde o medo nos aprisiona
Minha voz livremente alcança as estrelas.
Meus pensamentos ecoam entre essas paredes
Afogada nos gritos de minha alma,
Sua falta custa a desaparecer
E não há nada para me manter aqui.
Você se mantêm tão longe
tão fora do alcance,
Sua imagem escorrega pelos dedos
Venha e leva-me junto a você
Eu nunca direi adeus,
Perdoe-me por fugir da razão,
Cura meus delírios de solidão
Quando deitar meus sonhos em seus braços.
Eu contínuo respirando o fim
E as lembranças  escorrem pelos lábios,
Os dias se arrastam pela chuva,
Como o inverno congelando os olhos amorosos.
E já não me resta sanidade alguma, 
Será que é uma doença o que sinto,
Por desejar que seu amor permaneça em mim...




Distúrbia (a indagação entre o amor e a morte)

Estou presa a vida...
...como meu amor em suas mãos.
Há descanso para o eterno,
Haverá fuga para minha alma,
ALMA!
Já se esvaiu de mim há tempos,
Então o que me retém a beira do precipício.
Esse silêncio gritante ao meu redor,
perseguindo minhas mórbidas horas
Punindo as noites de pecados ou
os dias de insanidade.
Porquê?
Porque ânseio saborear a ferrugem de uma lâmina nos pulsos?
Já não posso me perdoar,
Por desejar o sangue que alimenta seu coração,
Pois ele é o vinho que desperta em meus lábios um pouco de vida.
Clamo a morte para preparar meu túmulo,
Como uma mãe prepara o leito
para sua filha sonhar,
Mas desse sonho não mais voltarei!
Pois meus olhos fecharam para você 
E abriram para o paraíso.

domingo, 15 de maio de 2011

Requiem...

Minha alma rasteja
Entre folhas secas e destruição,
Procurando restos de você
Esquecidos juntos a mim.

Ah, aquele dia cheio de lágrimas
São nuvens prevendo a minha decadência,
A maldição dos meus antepassados
Recaiu sobre meus dias.

Esse vazio que me completa
Ao sabor das quimeras que já disse,
Me espiam atrás da janela
Como um corvo anunciando um nunca mais.

Voe,voe para longe
E leve minhas recordações com você
Nelas habita minha fraqueza,
As cinzas sobre você
São pedaços que não sobrevivem em mim.

Somente diga que se lembra
Lembra da nossa promessa
De sermos eternos um para o outro,
Eu me lembro...

O que está enterrado para você
Ressuscita em mim a cada manhã,
a cada noite adormecida.

Rosas se abrem em carne viva
Sangram com o pulsar de minhas mãos
E nelas me reflito,
Despedaçadas ao chão.

Somente deixe por uma última vez
um beijo de boa noite
Pousar em seu rosto,
E antes que tenha adormecido
Já estará sozinho
Eu me retiro com a escuridão...

Comentários: "requiem" é uma palavra em latim que significa "missa aos mortos",há vários requiens conhecidos, uma delas é o Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart...


Por detrás dos óculos

Tanto o morto
Quanto o vivificado,
Enfim,tudo,
Tudo está vidrificado.
Mas se estende a mão
Tudo está tangível,
Sinto o calor das coisas
Sinto os sentimentos
Cósmicos
E a barreirade vidro
É apenas visão
Que a tudo aumenta
E ilumina.
O mundo agora, é uma
Enorme vitrine.

sábado, 14 de maio de 2011

Itinerário das Chuvas


Ver além da chuva
Ver as ondas de um mar
Que na chuva
Se procura
E nessa visão
Ilimitada
Descobrir nas águas
A Voz
Em fragmentos:
Partes desatinadas do mar
É o que cai
Nas chuvas 
Partes desatinadas sou eu 
Do mar 
Que em mim 
Procuro...

domingo, 8 de maio de 2011

Foto



O que me espanta
Não o sorriso plastificado
Ou o brilho do flash
Morto nos olhos

É o espião 
Que de dentro de mim
Na foto
Me espelha

É a nudez das cores
Que me define e me definha
Na entranha
Da foto

É a violência do flash
Que em nervos de segundos
Guarda um instante
Que não mais será

Isto que me espanta
Espanca
E me faz carência
Ausência.