domingo, 3 de dezembro de 2017


Longo adormecer
há quanto tempo espero a vida despertar,
Um momento a mais
percebo que não estou em um sonho,
apenas procuro minha paz.

Torne tudo possível
Não espere o sol erguer-se ávido
aquecendo seu sangue,
dê tudo o que não te faz falta.

Congelada
Há quantos anos estou a esperar
A luz que ilumina meu júbilo,
que instiga a escuridão em meu ser.

Cristalino
Agora meus olhos veem
o sujo e o imundo são iguais,
 Não posso te proteger daquilo que não acreditas
mas daquilo que te feres cegamente.





quinta-feira, 15 de junho de 2017

Insanamente Amor

epois de muito tempo sem nenhuma postagem, resolvi postar uma poesia que estava guardada na minha gavetinha de poetisa. Sim, guardo todas as ideias e as poesias recém-nascidas que saem de mim, e espero o momento para poder mostra-las e agradar a alguém que seja leitor e apreciador de poesia também.
Bem-vindo aos que não conhecem o blog e espero que gostem do conteúdo e comentem sobre o que achou das poesias. 





Você é a mentira que deixo viver em mim,
Você é o ladrão que rouba meu sono,
Você é a cura da própria doença,
Você é a dor que sinto prazer em sentir.
É a tortura quando abro os olhos
E a insônia quando vou dormir.

Há um fantasma em minha cama,
Que aparece em seu lugar
Todas as noites.

Você é a pedra em meu sapato
Que me faz caminhar tão lentamente
Até meus ossos estarem dormentes,
(Você é a queda dos meus sonhos para a realidade).

Não minta para mim
 Enquanto eu estiver viva,
Pois morro a cada palavra incendiária
Que você ateia em mim
Deixando-me queimar

Até só sobrar você...

terça-feira, 16 de outubro de 2012


Soneto das horas


Caminhando no relógio
Meus passos cansados
Encontram no ponteiro
Um lugar para descansar,
vendo os minutos
Circularem minha existência.
Lá fora o tempo continua correndo,
Indiferente as horas
Que caminham lentamente.
E eu simplesmente espero a vida parar.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012


Despertar de uma visão
De repente a vida passa como flashes,
 Uma luz que surge na escuridão,
Uma pequena mudança no clima lhe deixa ansiosa
Você anseia ser essa mudança,
E quando o normal não lhe agrada
E o estranho nos atrai
Vemos a vida com lentes de Neon.
E todas as mentiras intrínsecas a você
Ofuscam seus olhos,
 A morte se torna o sentido mais genuíno que chegaremos
Perdendo o desejo no decorrer das horas.
Estrelas de papel preenchem seu céu artificial,
Ela recorta a lua mais não tem o seu brilho
E não entende como todos permanecem de óculos escuros,
Mas ela não quer ser como eles
Arranca-lhe os olhos e enfrenta a luz do sol,
Os dias cinzas  estão te prendendo no lado escuro dos sonhos
E não mais que de repente
 Encontramos a razão da nossa existência
Na existência de outro alguém
Somos estranhos por cantar esse dueto em uma voz
Eles não podem ouvir o que para eles não existe,
Nesta vida plastificada
Você se mostra de carne, sangue e osso
E isso é tudo o que nos torna humanos?
Não,
A verdade está na alma que flui em nós
Que por um segundo sai de mim e se completa em você
E por um instante somos dois corpos e uma alma
Entrelaçadas em um desejo constante
De sermos um para todo o sempre.

sábado, 14 de abril de 2012

Para toda eternidade...

   Esta postagem eu dedico a minha família e principalmente a uma pessoa que nos deixou a pouco tempo, que era é e sempre será importante pra todos nós...


De repente o silêncio!
escorrem dos olhos gotas de saudade
que chegam para não mais partir.
Nada grita mais alto dentro de nós do que a dor,
palavras não ajudam a entender
a fragilidade da carne,
não há explicação, nem distinção
no final somos apenas humanos.
Somente as flores ficaram no seu jardim
cultivando as boas lembranças na memória,
enquanto as lágrimas inflamam
queimando ao sol
a caminho da despedida.
Toda vez que sussurramos o seu nome, será que ouviste?
tão longe sua alma descansa
livre da escuridão do mundo,
livre da condição que nos aguarda
e continuamos nesta caminhada
com a esperança de encontrá-la novamente
para toda eternidade.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

de volta a terra de Imaginária


Quando seus olhos estão azuis
as estrelas se silenciam,
a noite ofuscada nada pode fazer
que se entregar ao seu feitiço.

Quando meus lábios estão vermelhos
abrindo-se em botão de rosas
esperando um beijo empalidecer a carência,
nada posso fazer
apenas mentalizo esse momento,
o encontro de dois rios
formando esse mar dentro de nós.

Traga nos de volta as doces ilusões,
as falsas visões
de felicidade eterna.

Quando sua canção morrer
serei a única a deitar ao seu lado,
trêmula a abraçar-te na branca tristeza,
deitados na fria terra de Imaginaria.

Quando o fantasma dos bons tempos
assombrar meu corpo vazio
Tu serás o fantasma?
o que poderá trazer o céu nos teus olhos de novo?
a alegria pertinente dos mortos,
o refúgio de todos os males.

Espere! guarde seu último suspiro pra mim.


domingo, 11 de dezembro de 2011

Anjo Bipolar

  
Convivendo com sua dor
dia e noite se invertem 
trazendo todos os gritos guardados,
na lembrança das lágrimas quietas.

Em sua mente os espectros 
lhe sorriem do alto do retrato,
reflexo do passado,
sempre vivo, te devorando.

"Não, não consigo deixá-la ir"
Minha perdição são essas memórias,
a loucura que te sonda,
a tortura que te fascina.

Quando em suas mãos enxergas o poder
quebra este sorriso plastificado que zomba de ti,
Ela se suicidou dia após dia nessa parede
agora está livre como  pedaços de vidro pelo chão.

E a canção que trazias na alma,
chorava em meus olhos
suplicando não lembrar mais,
era no paraíso que pensavas?

Se em meu amor encontrasse a cura
eu viveria sua vida,
para não vê-la se desfalecer,
"Não, isso nunca irá nos abandonar"

Os sonhos se vão
mas a doença permanece intacta,
"Oh, anjo que me guarda,
livrai-nos da condição do sofrimento".


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O País das Maravilhas

Essa postagem é uma poesia que escrevi depois de ver o filme do Tim Bourton "Alice in Wonderland",
que é simplesmente uma das melhores adaptações feitas pelo cinema.
Como tudo que é diferente e criativo me encanta, a inspiração não tardou a vir...
   E também é uma homenagem a minha amiga Janaína que adora esse filme tanto quanto eu. 
ESPERO QUE GOSTEM!




Um mistério atrás dos passos de um coelho,
Um submundo tirado de minha imaginação
Caída num conto quase real,
Tudo que alguém precisa querer
Fechar os olhos e deixar acontecer.

Eu obedeço a minha voz
Livre apenas pra voar sobre o céu escarlate,
Nada pode derrubar as fantasias
Protegidos pelo sorriso de um felino
E nada pode nos parar.

De volta à terra do nunca
Ao país das maravilhas
Quando o mundo despertar
Colidir com o que existe
Segure minha mão
Não a rainha vermelha que nos faça regredir
Apenas seja o que você acredita.

Eu me encontrei perdida neste sonho
Segui o caminho guiado pelos meus pés
Fugindo de tudo que dizem certo
Me reencontrando com a minha realidade.

Isto é só um sonho?
eis minha pretensão
derrubarei meus medos, 
aqui não esperamos o bem triunfar
corremos para a batalha. 


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Janela aberta



Noite, exale seu perfume escarlate!

Uma janela secreta se abre,
meus gritos
nas asas de um pássaro
em busca de um novo amanhecer
flutuando imerso neste OCEANO-CÉU,
Minhas lágrimas
adormecem abaixo das árvores,
prendendo-me em suas raízes.

Oh, insolúvel pesar!
longa é a espera pela luz,
Eu desejo sair por esta janela
abrir os braços,
Voar uma única vez,
sentir o sereno tocar
os anos expostos em meu rosto,
correr junto as flores,
feri-las ao som do silêncio!
Resvalecer e cair.

E eu,
Eu lembrarei de olhar para trás,
Despedir-me desta casca,
(tudo que fui, tudo que sou, tudo que me restou)

Ainda estou voando!

Oh, pensamentos não me prendam aqui!
livre dos sonhos,
sem regresso.

VOAR!
sinto os segundos
deslizarem minhas veias,
e antes que minhas mãos entrelaçadas
retornem ao chão,
o fim irá me evanescer...

domingo, 9 de outubro de 2011

Sublime

Talvez seja a ultima vez...

Quando os sonhos colidirem com o chão
Um ultimo suspiro arrancarei de mim
Esqueço de abrir os olhos
de novo e sempre,
Somente o que sobrou de Ti me pertence
E sou a única a restar aqui,
Gritos na madrugada,
 risos intrépidos
agouram sobre mim,
Enquanto a verdade sangra
Embriagada pelo desejo,
Um mundo distante atravessa meus pensamentos
Trazendo a cura para cegar minha insanidade
Em suas mentiras  encontro a resposta
Não há ilusões que durem para sempre,
 Somos crianças esquecidas no Éden
Pedindo perdão de dedos cruzados

“e não há verdade que permaneça escondida”


A cidade está em chamas
Suas cinzas clamam por mim
Todos os medos expostos em minha face
É meu único disfarce
 Para me manter longe da escuridão.


sábado, 8 de outubro de 2011

Noturno

O sereno da noite transforma 
seu rosto em cândida aparição,
De longe, sei que me observa
admirando sua presa 
envergada em sua redoma.

feri-me com seu olhar
tingido pela luxúria,
Voando contra a luz
e pelas trevas consumido.

Leia meus pensamentos
venha até mim,
 Oh, Querido solitário!
mostra-me a liberdade de não temer a escuridão,
Deite-me em seu beijo para a eternidade.

Não me retenho aos seus desejos,
beba minha mortal condição
e eu direi que o amo!

Oh, não vê que os anos morrem
e levam um pouco de minha candura!
É tão cruel este frágil querer
perto de seus olhos mortificados.

Seu hálito frio
onde a morte já se fez íntima,
atravessam lentamente minhas veias
me despertando para sempre
em sua fome insaciável.

Torna-me sua súplica,
Vício ou religião.

Acredite no que o clarão da lua nos revela,
e realize meus devaneios,
nunca te encontrarás a ermo,
a noite me fará...
Eternamente sua. 



  

sábado, 17 de setembro de 2011

Jardins Artificiais

Sobre a minha imagem
pendura-se um retrato adormecido,
Não me reflito mais nele
ainda que tente resgatar seu sorriso,
Sua moldura não me serve mais.

Ela me pareceu uma criatura doce,
 Viveu em mim
como o medo embaixo da cama.

Seus sonhos se alimentaram 
dos contos de fada,
mesmo caminhando na tênue das mentiras
entra a luz e a escuridão,
Ela me fez seu espelho
admirando sua infância.

Mas o ontem se dissolveu
e eu,
A abandonei em meio aos
 jardins artificiais da vida,
Acordando no crepúsculo de minha solitude,
Implorando não viver o amanhã,
Amargando em seus versos gélidos.

Procuro-te inocência,
Em cada alegria devastada,
Em cada caminho rabiscado,
toda vez que cerro meus olhos,
em algum canto obscuro
onde posso ter me desviado.

Inocência, leva-me as vertigens dos amantes.
Inocência, faça-me acreditar em cada fragmento de ilusão,
Mas se não for possível Inocência,
Desejo apenas que vele meu sono.




quarta-feira, 31 de agosto de 2011

há espera...


Deitados nessa relva
pela última vez,
encontros escondidos
mergulhados no céu tão abstrato

Li em seus lábios 
palavras que nunca foram decifradas,
a beleza do desconhecido 
nos liberta dos compromissos de perdão

Venha guiado por esse crepúsculo
traga a sua mensagem,
mostre-me sua alma tão grande
revela-se neste momento

Você pensou me conhecer
apenas por ver meus temores,
sem saber dos sonhos que escondia de seus olhos
sem saber...

Corra, solte seu uivo para o luar
eu queimo nesta ânsia,
me protejo de sua presença
não há meio termo para nós?

(nunca satisfeita...
quero uma razão)

Agora acorde!
não foi uma lembrança
é apenas um sussurro interrompido
As vezes escondo a verdade,
você sabe o que me adoece
Só continue sem saber....

Músicas que rimam com Poesia:
  Boa tarde leitores!!!
A partir de hoje vou estar colocando músicas que tenham letras poéticas ou líricas que tenham uma ligação com as poesias postadas!!!
Espero que gostem!!!





domingo, 28 de agosto de 2011

A Presa e a Fera

Há um imã sobrenatural em você
que me atrai como um desejo tão vil
sinto que trai os princípios
e joguei-os contra mim

Talvez seja meu instinto selvagem
caçando o que me persegue,
talvez você desperte 
meu pecado interior

Sou uma vela acesa por este mal
incontrolável força que me seduz
quando está perto de meus sonhos
eu o prendo nos devaneios

Devo trancar meus pensamentos
e devolve-los a ilusão
ou prostituir -me nessa
insolúvel mentira?

Estou aqui como uma aberração
sendo devorada em minhas questões,
mergulhei até o fundo
e me encontrei em segredos perversos

Mantenho-a presa dentro de mim
não é humano,
é apenas o que sobrou 
daquilo que chamei de amor.


 





terça-feira, 12 de julho de 2011

Depois de um longo tempo...

...sem ter feito nenhuma postagem, volto aqui para mostrar mais uma poesia criada pelo meu pai José Dinalberto de Oliveira, que mesmo sem ser reconhecido pelo mundo, seu talento é eminente e declarado.
   Sem mais delongas, trago aqui meus sinceros agradecimentos a quem visita e doa um  pequeno tempo de seu dia para ler algumas dessas poesias, espero que lhe agradem e boa leitura!    
    
                                   Ave Averbando


     No centro do jardim
Entre urtigas e orquídeas
O arbusto do absurdo
Absorve
A paisagem

Lança aos pássaros
Suas sementes de canto
E às bocas o fruto
Com gosto 
De entardecer

Estende seus ramos
Sobre as conciências
E varre a terça
Parte das 
estrelas

Porém no ventre
De toda pedra
Sempre um sonho medra
E a rima exata
Sempre se desata

Desde que o tempo
Provou ser sua própria
Definição indefinida
Quando da boca de um anjo
Uma mulher roubou do império

A ave e o vôo
Sobre todas as árvores.




sábado, 18 de junho de 2011

Ausência Indômita





Pressinto um velho mal se aproximar
dentro do silêncio que te faz noite,
O mesmo vento inquieto que te trouxe para perto
agora arrastou-me para tão longe...

Deitada em dunas poliestanas
sem reação a esse momento
permito que meu sono congele,
Uma respiração boreal
me faz lembrar minha existência
tornando a súplica
de um beijo mais eminente.

Minha mente vaga inerte
acima de um corpo solitário,
à espera de um sinal de trégua do tempo
ou apenas um descanso para os olhos.

No quarto amanhece
e as curvas alaranjadas do dia
mancham as cortinas,
invasivos anjos solares
queimam o resto de ilusão.

A memória que me perturba
enfim se aquece de novo,
mais um amanhã que se vai
e outro que recomeça
repetindo esse antigo ritual.

São breves os momentos abrasadores
que valem tanto a pena
passar por sonos tortuosos
para que finalmente
eu possa despertar.

domingo, 5 de junho de 2011

Valentine's Day


As palavras que minhas mãos dedilham
são pequenas recordações que tenho de você,
E antes que o dia se vá mais uma vez
Quero estar do seu lado
e entregar-te um beijo de boa noite.

Muitos ventos já percorreram nosso caminho
e num triste descuido seus passos se afastaram dos meus,
Mas hoje as estrelas testemunham o nosso reencontro,
Em seus olhos posso buscar aquela velha alegria
que por muito tempo você guardou a minha espera.

E na ausência de um beijo nunca roubado
sussurrei o seu nome e te segurei em  meus braços,
Deixe o mundo gritar ao nosso redor
e nos esconderemos na luz da lua.
Meu coração se faz inteiro novamente
entre romances e canções,
Não há escuridão que perpetue na noite
e não há busca sem final feliz.

Todas as luzes se apagam atrás de nós
pois somente o futuro nos importa,
Vivendo através desse sonho
agarrados a alvorada que nos liberta.

Todas as vezes que chorar
uma lágrima será minha também,
E nessa vida carregamos muitas mágoas
mas juntos a tristeza se dissipa,
E depois dos pesadelos 
sempre vem a calmaria,
E enquanto esse dia durar,
Querido nosso amor será eterno.




terça-feira, 31 de maio de 2011

Milênios separam começo e fim (Apocaliptica)


Tranquem as portas
e fechem as cortinas,
Por três dias a escuridão se fará infinita.
A imensidão do caos entre as vozes santas
cairão sobre nós.
Não há tempo que desfaça
o mal nascente do chão,
Apenas uma agonia incessante aqui dentro,
Enquanto os que se prendem ao impuro
(todos os pecados escondidos  no fruto)
serão levados por seus próprios pesares.
Não olhe para fora!
Sodoma e Gomora caem novamente,
a nova Babilônia construída em ruínas 
desfaleceu em nome da fé.
Pequenos são nossos olhos 
por não acreditar no cessar dos gritos profanos,
no fim dos falsos deuses.
Depois de estremecer o pilar do egoísmo,
consumido nesse altar frígido,
Uma nova aurora se levanta 
em plena Glória!
(e os passáros entoarão o seu canto).

sexta-feira, 27 de maio de 2011



O que é ser um poeta? A poesia é um dom ou um bem adquirido?
Todos nós já nos deparamos com tais questões, o mundo evolui mas algumas perguntas parecem tão pertinentes quanto os ditados. Na verdade, a poesia nos tempos de hoje se tornaram artigo de pouco valor emocional e acima de tudo cultural. Mas para que julgar os ditos poetas incompreendidos?  Será que devemos todos ter a mesma vocação para Manuel Bandeira, Olavo Bilac? Será que todos temos a mesma sensibilidade que teve Cora Coralina ou nossa saudosíssima e paranaense Helena Kolody? A resposta é única, não, não temos.
  Quantas vezes já ouvi em vozes diferentes a mesma opinião: "os jovens não sabem escrever poesia, o que escrevem são bobagens parafraseadas de músicas sentimentais", isso lhe parece familiar? Ou até mesmo: "como todo mundo é poeta agora, não tem que ser culto para saber escrever". Ora, cultura é sim um importante instrumento para tudo o que se vai criar, não só  na parte literária mais em qualquer forma de expressão. Porque esse preconceito? De onde vêm esses absurdos psicanalíticos? bom para isso não tenho resposta, mas acredito que poesia é a expressão diferente de cada um ver algo que é natural a todos, existem várias maneiras de se falar sobre o mesmo tema assim como a vários jeitos de se perceber os sentimentos, por exemplo o amor, alvo de muitos poetas, desejada por todos mas alcançadas por poucos, esse não é o tema mais usado até hoje para se poetizar?, e podemos dizer que se pegarmos a maioria das poesias mais famosas elas serão parecidas ou até mesmo idênticas entre elas? não, porque cada um sente de um jeito, como cada pessoa pode se identificar com elas. Então a poesia não tem medição entre  "melhores" e"piores", o que vai entra em ação é a maneira de que cada um irá saborear a poesia, de que jeito cada ser olha para um determinado assunto. Como diz o ditado "gosto é gosto, cada um tem o seu", pode ser clichê,mas a verdade é um clichê e não deixa de ser verdade, "a beleza está nos olhos de quem vê", então por que não aplicar isso em nossas leituras, sejam mais pacíficos e menos críticos, afinal leitura é para ser uma hora de redenção da realidade, uma válvula de escape do cotidiano,uma hora que reservamos aos sonhos e as fantasias, sem obrigações, sem leis a seguir...
  Para terminar, há um a poesia de Florbela Espanca, poetisa portuguesa, que consegue capturar toda a essência dos poetas, e que exprimem além de rimas perfeitas, o verdadeiro sentido da existência de um poeta.

Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

Ensaio


O verão ainda está distante
Mas os postes exibem seus
Sorrisos de escárnio
Contra o povo

O mês de finados e de todos 
Os santos está longe
Mas os muros já estão
Cobertos de mortalhas

O circo ainda não chegou
Mas os palhaços
Já estão armados..